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Liebesromane

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Primeiro Casamento Fracassado

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Klappentext

Julia abandona Mike, seu marido abusivo, levando o filho de cinco anos para recomeçar a vida do zero, em uma situação vulnerável e sem recursos. Conforme ela reconstrói sua trajetória passo a passo, Mike tenta de tudo para encontrá-la e reavê-la, enquanto Alan, o novo CEO da sua empresa, a protege e a auxilia no processo de divórcio. Agora, Julia precisa escolher entre manter seu coração protegido ou dar uma segunda chance ao amor.

Capítulo 1

“Não ouse se afastar de mim.”

Os punhos de Mike martelavam a parede de gesso a uma polegada do rosto dela, e Julia tensionou todos os músculos contra a moldura da porta. Pó de gesso caía entre os dois. A lâmpada do corredor chacoalhava acima dela.

Tommy chorava em algum lugar atrás dela. Ela ouvia os soluços agudos e entrecortados, mas não conseguia se virar, não conseguia olhar para lugar nenhum, exceto para os olhos vermelhos de Mike e o cheiro de uísque que azedava o ar entre eles.

“Você acha que é melhor do que eu?”, perguntou ele com a voz embargada. “Acha que pode simplesmente me ignorar na minha própria casa?”

Ela não disse nada. A cozinha do apartamento estava aberta atrás dele, uma cadeira tombada perto da mesa, um copo quebrado perto da pia. Se ela respondesse, ele agarraria as palavras e a espancaria com elas também.

Mike deu um passo à frente. Sua mão se ergueu perto da bochecha dela e ficou ali parada.

Ela ficou imóvel.

Então ele se afastou da parede e cambaleou para trás. “Inútil. Você é inútil.”

Ele arrancou as chaves da bancada e saiu batendo a porta da frente. Um segundo depois, a caminhonete arrancou do estacionamento, com o motor acelerando forte o suficiente para sacudir a janela acima da pia.

Julia contou até cinquenta antes de se mover.

Tommy estava agachado no corredor com as duas mãos sobre os ouvidos, o rosto molhado e contraído. Ela se abaixou ao lado dele e o puxou para si.

Seu corpinho se contorcia a cada soluço. Julia encostou a cabeça dele no queixo e manteve a voz firme até que ele se acalmasse.

“Estamos bem”, ela sussurrou.

A mentira ficou presa entre seus dentes.

Ela se levantou e o colocou no colo, embora ele já estivesse ficando grande demais para isso. No quarto dele, ela arrastou a mochila do Homem-Aranha de debaixo da cama.

“Vamos viajar”, disse ela. “Você pode me ajudar a arrumar seus brinquedos favoritos?”

Tommy olhou para ela, surpreso. “Para onde vamos?”

“Para um lugar seguro.”

“O papai vai junto?”

“Não.”

Seus lábios se curvaram para baixo. Ele envolveu os joelhos com os braços na cama e olhou para ela como se ela tivesse quebrado uma regra que ele não entendia.

Ela agiu rápido mesmo assim. Roupa íntima. Meias. Dois pares de jeans. Três camisetas. A mochila engoliu tudo enquanto Tommy observava.

No quarto dela, ela abriu o armário com um puxão e pegou a mochila de ginástica mais velha que tinha. Uma mochila. Uma mão para o Tommy, um ombro para todo o resto.

Ela pegou jeans, um suéter, tênis. Na prateleira de cima, a caixa de sapatos esperava onde ela a havia deixado. Notas dobradas bem pequenas, um pouco de cada vez, escondidas por dois anos atrás de cachecóis de inverno que Mike nunca tocava.

Trezentos e quarenta dólares.

Mal dava para um quarto, passagem de ônibus, comida e o que viesse depois. Ainda assim, mais útil do que a esperança.

Ela enfiou o dinheiro no fundo da bolsa e fechou o zíper.

“Mãe, eu não quero ir.”

Tommy estava na porta, abraçando a mochila contra o peito.

Julia foi até ele e se agachou. “Eu sei, querido. Mas a gente precisa ir.”

“E se o papai voltar e a gente não estiver aqui?”

Ela olhou para a sombra sombria em seu olhar, muito madura para um rosto de cinco anos. “Ele vai ficar bem.”

Ele não acreditou nela. Ela percebeu pelo jeito como ele olhava por cima do ombro dela em direção à porta da frente, esperando pela caminhonete.

Ela também não acreditava.

Ela pegou a mão dele e o levou para fora. Na soleira da porta, ela parou por meio segundo. A parede rachada no corredor. A cadeira tombada de lado. Cacos de vidro brilhando perto da pia. Cinco anos cabiam naqueles pedaços destruídos e em duas malas.

Ela trancou a porta atrás deles e saiu.

Lá fora, o frio penetrou em seu suéter antes mesmo de chegarem à calçada. Tommy tropeçou uma vez com o tênis desamarrado, e ela se abaixou, arrumou o cadarço e continuou a caminhada. Ela não olhou para o estacionamento novamente.

Na esquina, ela acenou para o primeiro táxi que diminuiu a velocidade. O motorista olhou para as malas e, em seguida, para o rosto manchado de Tommy no espelho retrovisor.

“Rodoviária?”, perguntou ele.

“Sim. Intermunicipal.”

Ele assentiu e entrou no trânsito.

Tommy se encostou nela no banco de trás. As luzes da rua deslizavam sobre o rosto dele, depois sobre as vitrines das lojas e, em seguida, sobre uma lavanderia fechada com metade das letras queimadas. Julia mantinha um braço em volta dele e o outro em volta das duas sacolas, como se Mike pudesse arrancá-las de um puxão no próximo semáforo.

Quando o táxi os deixou na rodoviária, a noite já dava lugar ao amanhecer. Ela pagou em dinheiro e observou as luzes traseiras desaparecerem antes de levar Tommy para dentro.

Os assentos de plástico da rodoviária estavam aparafusados ao chão. Uma máquina de venda automática zumbia ao lado de um mapa na parede com os cantos enrolados. Um homem de jaqueta de trabalho dormia três assentos adiante, com sua mochila debaixo das botas. Na bilheteria, a mulher atrás do vidro tinha a voz rouca de tantos turnos noturnos.

“Você vai comprar agora ou vai esperar pelo quadro de horários?”

Julia apertou com mais força a mão de Tommy. “Vou esperar.”

A mulher a examinou de cima a baixo, observando as sacolas e o pijama amarrotado de Tommy sob o casaco. Sua expressão suavizou-se um pouco. “O café está fresco. Chocolate quente também, se a máquina colaborar.”

“Obrigada.”

Julia comprou chocolate quente para Tommy e um café para si mesma, que mal conseguiu saborear. Sentaram-se no banco duro perto das janelas. O cheiro de diesel entrava toda vez que as portas da frente se abriam. Cada vez que elas se abriam com um chiado, seus ombros se encolhiam antes que ela pudesse impedi-los.

Tommy se aconchegou ao lado dela. Depois de um tempo, ele perguntou: “O papai ficou bravo por minha causa?”

A pergunta foi direta.

“Não.” Ela colocou a xícara na mesa antes de derramá-la. “O papai ficou bravo porque o papai estava bravo. Nada disso foi por sua causa.”

Ele ficou olhando para o copo de papel nas mãos. “Ele diz que você vai embora quando as coisas ficam difíceis.”

Por um segundo, ela não conseguiu ouvir o barulho da estação por causa daquela frase.

Então ela perguntou, com muita delicadeza: “Ele já disse isso antes?”

Tommy assentiu.

Lá estava. Anos economizando dinheiro de compras em uma caixa de sapatos, anos esperando pela noite certa, e seu filho ainda carregava a voz de Mike na boca.

Julia acariciou o cabelo de Tommy e se obrigou a responder à única parte que ele conseguiria entender naquela noite. “Não vou te deixar. Vou te levar comigo.”

Ele então se encostou nela, pequeno e exausto, e ela se permitiu respirar um pouco mais fundo.

Seu celular estava desligado no colo. Ela o havia desligado no instante em que saíram do apartamento. Inteligente. Necessário. Inútil se ela quisesse um emprego até de manhã.

Dentro da bolsa, dobrada três vezes, estava a oferta de emprego impressa que ela havia pegado na caixa de correio dois dias atrás e quase jogado fora porque parecia boa demais para a vida dela. Whitaker Industries. Recepcionista. Segunda-feira, oito da manhã.

Ela leu cada linha novamente sob as luzes da rodoviária até que o papel ficasse macio nas bordas. Data de início. Valor do salário. O endereço no centro da nova cidade, a duas horas de distância. O suficiente para pagar o aluguel em algum lugar barato, se ela esticasse cada dólar e nunca deixasse uma conta pegá-la de surpresa.

A mulher na bilheteria chamou: “Você precisa dessa caneta, querida, devolva-a.”

Julia atravessou a sala, pegou emprestada a caneta presa a uma corrente no balcão e assinou a linha de aceitação na parte inferior da oferta.

“Novo emprego?”, perguntou a mulher.

Julia hesitou, depois assentiu.

“Ótimo.” A mulher deslizou um pedaço de papel com o horário da estação na direção dela, para que a tinta não manchasse o outro lado. “Aproveite a chance quando ela aparecer.”

Julia quase riu com aquilo. Quase chorou. Em vez disso, dobrou o papel novamente e o guardou de volta na bolsa.

Tommy já estava meio adormecido quando ela voltou para o banco. Ela ligou o celular e o colocou com a tela voltada para baixo sobre a coxa, esperando pelo sinal, esperando pelo que quer que viesse com ele.

Se Mike se esforçasse o suficiente, um celular ligado lhe daria mais uma chance. Se ela o deixasse desligado, não receberia a ligação da empresa, não teria como manter o primeiro emprego que aparecera para ela em meses.

Ela não podia comprar o café da manhã para Tommy com o silêncio.

A tela se acendeu. As chamadas perdidas apareciam no topo.

O nome de Mike ocupava todas as três.

Capítulo 2

Julia estava sentada atrás do balcão de recepção da Whitaker Industries e mantinha o queixo inclinado em direção ao ombro esquerdo, enquanto as portas do saguão refletiam cada pessoa que entrava e saía.

A coordenadora do abrigo havia encontrado para ela uma blusa azul-marinho e calças pretas na caixa de doações naquela manhã. A blusa não se ajustava direito nos botões. As calças roçavam seus tornozelos. Julia esfregou o rosto na pia do abrigo até a pele arder, prendeu o cabelo com um elástico apertado o suficiente para segurar e usou as mechas próximas à bochecha para cobrir o hematoma verde-amarelado o máximo que pôde.

Seu celular estava desligado no fundo da bolsa. Ela o ligava uma vez por noite, verificava se havia alguma notícia sobre Tommy e o desligava novamente. Três chamadas perdidas haviam se tornado cinco, todas de Mike. Ela não tinha ouvido nenhuma mensagem na caixa postal. Não tinha dado a ele a chance de ouvi-la respirar.

O telefone da mesa tocou. Juli

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