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Só uma noite para me terem, papais

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Sinopse

“Você vai fugir quando eu contar até três, Janice Cross”, ele sussurrou. “E certifique-se de não deixar que a gente te encontre.” “Não… Lucian.” Voltei meu olhar para os homens de cada lado dele, implorando — suplicando que dissessem alguma coisa. Me ajudem. “Calder, por favor… Aiden…” Ambos viraram a cabeça para o lado. Eles nem conseguiram me olhar nos olhos ao escolherem o irmão. “Um.” “Lucian…” “Dois.” “Eu não quis fazer isso.” “Três.” *** Depois de perder, em uma semana, o homem com quem acreditava que se casaria e seus pais, Janice só quer cuidar da irmã doente. Ela não quer um homem. Ela não quer três homens. Mas uma noite é o suficiente para mudar sua vida e levá-la a um novo rumo. Aiden Grant. Calder Vaughn. Lucian Graves. Ela não espera que os limites se confundam quando se trata desses homens mais velhos. E quando tudo chegar ao fim, ela não espera que esses homens continuem a desejá-la tanto quanto ela os deseja.

Capítulo: 1: UM

JANICE

“Janice, você está demitida!!” O gerente, o Sr. Harry, nem sequer ergueu os olhos para mim depois de dizer isso, preferindo manter o foco no que quer que fosse tão importante naquele livro dele. “Simplesmente não temos recursos para mantê-la na equipe.”

“Eu… o quê?”, consegui dizer, piscando rapidamente como se as palavras fossem se reorganizar em outra coisa se eu me esforçasse o suficiente.

Eu só conseguia encarar o homem. De repente, o escritório pareceu pequeno demais, o ar, muito rarefeito. O zumbido do ar-condicionado ficou mais alto, pressionando meus ouvidos até se tornar a única coisa que eu conseguia ouvir.

“Em termos mais simples, você tem que sair, Janice.”

“Não… não, senhor, por favor”, disse rapidamente, dando um passo à frente. “Deve haver algum engano. Tenho feito turnos extras, eu… fiquei até tarde ontem, o senhor pode verificar…”

“Não há engano algum”, ele interrompeu, ainda sem olhar para mim.

Meu peito apertou dolorosamente.

“Por favor”, sussurrei, com a voz agora embargada. “Preciso desse emprego, Sr. Harry. Eu... eu não cheguei atrasada, nunca... Se fiz algo errado, basta me dizer, e eu conserto. Só me diga o que é.”

Ele finalmente olhou para mim, soltando um suspiro, como se eu estivesse incomodando-o. “Não é isso, Janice.”

“Então qual é o problema?”, perguntei, sem me importar com o quanto parecia e soava desesperada. “Por favor, me dê só mais uma chance. Não vou te decepcionar, juro.”

“Eu disse que acabou!”

A indiferença em seus olhos fez algo dentro de mim se quebrar.

O Sr. Harry se levantou, alisando a camisa, como se quisesse me dizer que a conversa havia acabado.

“Senhor…” Eu me apressei a segui-lo enquanto ele se dirigia para a porta.

Ele não parou. Segui-o para fora do escritório; o som dos meus saltos batendo desordenadamente no chão era a única coisa que me mantinha firme, enquanto o pânico me empurrava para frente.

“Senhor, por favor, me escute…”

As pessoas estavam me olhando.

“Preciso desse emprego”, continuei, estendendo a mão instintivamente. Meus dedos roçaram a manga da camisa dele, mal tocando…

“Não me toque!”, ele gritou, afastando o braço bruscamente como se eu o tivesse queimado.

Todo o escritório ficou em silêncio.

Eu congelei.

“Eu disse para pegar suas coisas e sair daqui”, ele continuou, com voz cortante, ecoando pela sala. “Não precisamos de você aqui.” Ele soltou um grunhido irritado, ajeitou a gola da camisa e se afastou sem olhar para trás.

Fiquei ali parada, paralisada, com os ouvidos zumbindo. Alguns dos meus colegas estavam gravando, enquanto outros cochichavam entre si.

Um calor tomou conta do meu rosto, queimando de humilhação. Abaixei a cabeça rapidamente, contendo as lágrimas enquanto forçava minhas pernas a se moverem.

Um passo.

Depois, outro.

Caminhei até minha mesa, ignorando os olhares, os murmúrios, o jeito como as pessoas de repente fingiam estar ocupadas quando eu olhava na direção delas. Minhas mãos tremiam enquanto eu juntava minhas coisas.

Uma caneta. Meu caderno. A foto barata emoldurada de mim e da minha irmã.

Quando cheguei ao hospital, já estava mais calma. Não podia me dar ao luxo de desmoronar ali.

“Oi”, disse baixinho, forçando um sorriso no momento em que meus olhos se fixaram na única pessoa importante do mundo. Nancy.

Minha irmã ergueu os olhos da cama, e seu rosto se iluminou na hora. “Janice! Você chegou cedo.” 

“É”, respondi, entrando. “Consegui um raro dia de folga.”

“Você nunca tira folga.”

Dei de ombros, largando minha bolsa e me aproximando para dar um beijo na testa dela. “Acho que finalmente perceberam que estou sobrecarregada de trabalho.”

Foi uma piada fraca, mas funcionou.

Nancy sorriu e, de repente, senti algo se contorcer dolorosamente no meu peito. Ela parecia tão pequena e frágil. As máquinas emitiam bipes suaves ao redor dela, um lembrete constante de tudo o que eu estava tentando não pensar. Ela havia sido diagnosticada com doença renal crônica e, como ainda não tínhamos encontrado um doador, a única opção era diálise e medicamentos.

E isso era caro.

Eu tinha dois dias para fazer o próximo depósito para os remédios e a diálise.

Essa tinha sido a verdadeira razão pela qual eu tinha ido até o Sr. Harry naquela manhã, implorando por um adiantamento, apenas para ser humilhado no final. Eu não podia me dar ao luxo de deixar minha irmã morrer.

— Você parece cansada — disse Nancy suavemente.

“Estou bem.”

“Mentirosa.”

Meus lábios se curvaram em um sorriso tênue, e ela apertou minha mão. “Apenas descanse um pouco, tá bom?”

Nancy me observou por mais um momento. Parecia que ela queria dizer algo, mas decidiu não dizer. Depois de um tempo, ela adormeceu.

Fiquei ali por algum tempo, apenas observando-a. Memorizando-a. Se ao menos eu pudesse permanecer nesse momento por tempo suficiente, mas a realidade não esperava.

Peguei meu celular e liguei para o primeiro número que vi. Ele não atendeu. O segundo foi direto para a caixa postal.

No terceiro, atenderam.

“Janice?”, a voz soou surpresa.

“Oi”, eu disse rapidamente. “Eu... preciso de ajuda.”

Houve silêncio por alguns segundos, antes que a pessoa soltasse um suspiro.

“Sinto muito”, ela disse. “Sinto mesmo, mas não posso agora. As coisas também estão difíceis para mim.”

Engoli em seco. “Tudo bem. Não tem problema. Eu entendo.”

Na verdade, não entendia, mas era o que se esperava de mim. Ligação após ligação. Desculpa após desculpa. Ou pior… nada mesmo. Apertei os dedos em torno do telefone enquanto a frustração e o desespero cresciam dentro do meu peito.

Mais uma ligação.

Ela atendeu imediatamente. “Janice?”

“É… sou eu.”

“Ora, ora”, disse a voz, divertida. “Não achei que fosse ter notícias suas de novo.”

Fechei os olhos por um instante. “Preciso de ajuda, Val. Preciso de dinheiro e…”

“Talvez eu tenha algo para você.” Ela interrompeu. “Venha ao Angels’ Club, nos arredores da cidade. Esteja lá às nove.”

“Um clube?”

“Não fique tão chocado”, ela riu baixinho. “Você quer ajuda ou não?”

“Quero.”

“Então esteja lá.”

A ligação caiu. Fiquei olhando para o celular por um momento, soltando um suspiro lento. Eu não tinha escolha.

Quando cheguei, a boate já estava animada. Luzes piscavam, a música tocava alto e as pessoas dançavam. Era avassalador. Fiquei parada na entrada por um momento, sentindo um nó no estômago, antes de me forçar a entrar.

“Janice! Janice!”

Era a Val, acenando do outro lado da entrada. Caminhei em direção a ela.

“Você realmente veio!”, Val riu. “Não acredito nisso.”

“Você me disse que poderia ajudar.”“Eu posso”, ela respondeu. “Mas também preciso de ajuda.”

“Como assim?”

“Tenho dois shows hoje à noite”, disse ela com naturalidade. “Um aqui, outro em outro lugar. Não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo.”

Meu estômago deu um nó. “Você quer que eu… o quê?”“Dance”, disse Val simplesmente.

“Não consigo…”“Não, Janice”, interrompeu Val, com uma expressão severa no rosto. “Já te vi dançar antes, lá na escola. Então você consegue e vai fazer isso, ou pode sair daqui e arranjar seu dinheiro de outra forma.”

Não havia outra saída para mim.

“Quanto?”, perguntei baixinho.

Os lábios de Val se esticaram em um sorriso. “Vamos dividir o que você ganhar.” Não era o suficiente. Nunca seria o suficiente. Mas, naquele momento, era tudo o que eu tinha.

Minha apresentação foi… Ruim. Simples assim. Eu sabia disso. Desde o momento em que subi no palco, vestida com o uniforme de stripper da Val, tentando ao máximo evitar o contato visual com os homens e mulheres ao meu redor. Não demorou muito para que eles perdessem o interesse em mim.

Quando minha apresentação terminou, meu peito estava apertado de humilhação. Eu mal tinha ganhado alguma coisa.

Merda! Merda!

Todo aquele trabalho para nada? Não, não podia ser.

O que eu ia fazer?

Fiquei de lado durante meu intervalo, com os braços cruzados em volta do corpo enquanto minha mente corria a mil. Eu precisava de mais dinheiro. Eu precisava…

Uma sensação repentina percorreu minha espinha. Aquela sensação de que alguém estava me observando. Virei-me lentamente… e tudo dentro de mim parou. Três homens estavam sentados em uma espécie de área VIP, como se fossem donos do ar que todos os outros respiravam. Eles não tinham mudado nem um pouco. Ainda eram o tipo de homem que as pessoas evitavam.

E estavam olhando diretamente para mim.

Meu estômago deu um nó. Meus pulmões esqueceram como funcionar.

Aiden Grant. Calder Vaughn. Lucian Graves.

Os Irmãos dos Negócios.

E eu estava bem na frente deles… seminua.

Capítulo: 2: DOIS

JANICE

Aiden Grant, pelo menos, teve a decência de desviar o olhar depois de um tempo. Ele nunca se importava comigo quando eu ia visitar sua filha, Mila. A última vez que o vi foi naquela maldita noite, há três anos, e, sinceramente, ele tinha ficado muito mais bonito do que as câmeras captavam.

Enquanto eu continuava a ficar olhando para eles como uma esquisita, vi Calder se inclinar para sussurrar algo no ouvido de Aiden. Os olhos deles permaneceram fixos em mim. Os lábios de Lucian se curvaram em um sorriso malicioso enquanto ele falava com Aiden, que estava me encarando novamente. Ele estreitou os olhos para mim, fazendo com que eu me virasse instantaneamente.

O que eles estavam fazendo aqui?A pergunta ecoou na minha mente, mas não importava.

Eu precisava ir embora.

Agora.

Dirigi-me para a saída dos fundos. Eu poderia sair sem que ninguém percebesse. Não seria difícil, já que o lugar estava lotado e caótico.

“Ei.”

Merda.

Heroes

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