
Seduzindo o Melhor Amigo do Meu Pai
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Annotazione
Liv sempre foi uma garota mimada. Seu pai é político, o que sugere que ela cresceu rodeada de dinheiro e nunca ouviu “não” como resposta. Roupas de grife, restaurantes de luxo, festas, gastando o quanto quiser nos cartões de crédito. Até que seu namorado mais recente, Cal, tenta abusar dela contra sua vontade depois que Liv descobre que ele a traiu. Então, seu pai decide mandá-la para um lugar seguro — sem paparazzi, sem ataques políticos, sem jornalistas. Ele a manda para um velho amigo — Will Brandon, um ex-soldado, agora seu guarda-costas, que tem o dobro da idade dela e não suporta nada relacionado a dinheiro. Liv odeia que lhe digam o que fazer e quer voltar à sua vida normal. Então, ela pensa: se o pai descobrisse que o amigo dele está de olho nela em vez de protegê-la, ele ficaria furioso, certo? Então, tudo o que Liv precisa fazer é quebrar a resistência do homem seduzindo-o. Só que Will não é tão fácil de conquistar.
Capítulo 1
Ele me sufoca.
“Cal...” consigo dizer, tossindo.
O mundo se reduz a cinco pontos de pressão e à parede de tijolos batendo contra minha coluna.
Arranho seu pulso, sem sucesso contra a adrenalina em seu aperto, e me ouço emitir um som que nunca emiti antes, úmido, estrangulado e fraco. Seu rosto está a poucas polegadas do meu, vermelho e furioso, e, por um segundo aterrorizante, acho que ele não vai me soltar.
O pátio do restaurante está muito claro, muito barulhento, cheio demais de pessoas que vão se lembrar disso se eu deixar a situação piorar.
Cal não se importa com isso. Ele nunca se importou.
“Você não está me ouvindo”, ele retruca, aproximando-se, com o cheiro forte de sua colônia quase sufocante antes mesmo que suas mãos me toquem. “Não finja que é melhor do que eu.”
“Nunca disse que era melhor do que você”, sibilo, minha voz se sobressaindo ao tilintar das taças de vinho duas mesas adiante, tentando respirar. “Eu disse que você me envergonhou… Na frente dos doadores do meu pai. De novo.”
“Porque os doadores do seu pai são mais importantes do que eu”, ele cospe, e algo em seu rosto se contrai, do jeito que sempre acontece logo antes de a situação ficar feia.
“Não foi isso que eu...”
Sua mão aperta com mais força minha garganta antes que eu termine a frase.
As pessoas finalmente percebem — gritos, flashes de câmeras, cochichos.
Então há gritos, e mãos que não são dele, e Cal cambaleia para trás com um palavrão.
O ar invade meus pulmões tão rápido que arde. Pressiono a palma da mão contra a garganta e ofego, respirando com dificuldade enquanto minha visão volta a ficar nítida.
É quando eu os vejo — uma parede de celulares e lentes de câmera, todas apontadas para mim, capturando meu rosto manchado de rímel e as marcas vermelhas que se espalham pelo meu pescoço como um troféu.
“Liv...” Cal começa a dizer, estendendo a mão para mim de novo, mas eu já estou me movendo, empurrando ombros, passando pelos flashes.
Passando por cada sussurro de “não é a filha do prefeito?”.
Estou me enfiando no banco de trás do meu carro e meu motorista está arrancando como se pudesse deixar para trás o que acabou de acontecer.
Ele não consegue.
Meu celular está na minha mão antes mesmo de eu recuperar o fôlego, e Marta atende no segundo toque.
“Ok, então é melhor que a comida tenha sido incrível”, ela diz, “porque você me mandou uma mensagem há tipo quatro horas e depois simplesmente...”
“Cal me estrangulou”, digo, e minha voz se quebra bem no meio. “Em público. Havia câmeras por toda parte, Marta, acho... acho que já está na internet.”
“Espera, o quê? Calma aí, como assim ele te estrangulou...”
“Quero dizer que a mão dele estava em volta da minha garganta e eu não conseguia respirar!”, gemo, pressionando os nós dos dedos com força contra a boca para não soluçar na frente do meu motorista. “Estávamos discutindo sobre o jantar dos doadores e ele simplesmente... ele me agarrou.”
“Aquele maluco”, diz Marta, e consigo ouvi-la se movimentando, uma porta batendo em algum lugar do lado dela. “Liv, venho te dizendo há semanas que aquele homem é um sinal de alerta ambulante com um queixo bem definido. Por que você ainda está com ele?”
“Não sei”, consigo dizer com a voz embargada, “não sei, eu pensei...”
Meu celular vibra contra meu ouvido, depois de novo, e mais três vezes em rápida sucessão, o nome do Cal iluminando minha tela repetidamente como uma contagem regressiva.
“Ele está me ligando”, digo. “Ele está me ligando agora mesmo.”
“Não ouse atender”, diz Marta, cortante como uma lâmina. “Liv. Não.”
Eu não atendo. Afasto o celular do ouvido e digito com os dedos que não param de tremer:
Nós terminamos. Não me ligue mais.
A resposta chega antes mesmo de eu ter bloqueado a tela.
Você só está fazendo isso porque eu te envergonhei na frente das câmeras. Admita. Isso não tem nada a ver com o que você está sentindo e tudo a ver com a sua imagem tão preciosa.
Tudo o que te importa é o seu status.
Fico olhando para as palavras até elas ficarem embaçadas, com o polegar pairando sobre o teclado, e então simplesmente o bloqueio, jogando o celular no banco como se ele tivesse me queimado.
Quando chego em casa, meu pai já está esperando no luxuoso hall de entrada, com a mandíbula cerrada de um jeito que indica que ele viu o noticiário.
“Está em toda parte, Olivia”, ele diz, erguendo o celular, com a tela cheia do meu próprio rosto aterrorizado. “Em todos os veículos de comunicação. Estão dizendo que minha filha foi agredida no meio de uma rua pública.”
“Estou bem, pai”, digo, jogando minha bolsa no banco perto da porta como se não fosse nada, como se minha garganta ainda não estivesse latejando. “Isso vai passar em alguns dias. Sempre passa.”
“Sempre passa”, ele repete, e há algo na voz dele que eu nunca tinha ouvido antes — não é raiva, é algo mais próximo do medo. “Liv, esse é o quarto namorado seu por causa do qual a imprensa me crucificou. E agora um deles colocou as mãos em você bem na frente de todas as câmeras da cidade.”
“E daí, você vai me dar um sermão sobre minhas escolhas?”, digo, cruzando os braços, com o queixo erguido como sempre faço quando me recuso a parecer pequena.
“Não”, ele diz baixinho, e essa calma me assusta mais do que qualquer grito jamais poderia. “Eu já tomei a decisão por você.”
Por um momento, o silêncio se prolonga.
“Você vai sair da cidade, Olivia. Vou mandar você ficar com o Will.”
“Will”, repito, como se o próprio nome fosse uma piada. “Seu melhor amigo do exército? Pai, eu nunca conheci esse homem na minha vida.”
“Ele é a única pessoa em quem confio para te manter segura”, diz meu pai, e, pela primeira vez, ele não levanta a voz, apenas olha para mim como se eu ainda tivesse oito anos e ele estivesse apavorado com a possibilidade de me perder também. “Ele tem uma casa fora da cidade. Sem imprensa, sem notícias, sem o Cal. Você ficará lá até que eu saiba que é seguro para você voltar.”
“E se eu me recusar?”, pergunto, embora nós dois já saibamos a resposta.
“Você não vai recusar”, ele diz simplesmente, virando-se para voltar ao seu escritório, e eu fico ali parada, com a garganta ainda doendo e toda a minha vida de status e dinheiro — cuidadosamente construída — desmoronando silenciosamente atrás de mim.
Capítulo 2
“Não vou”, digo, parada na porta do meu closet enquanto meu pai arrasta uma mala da prateleira como se isso já estivesse decidido — o que, aparentemente, está.
“Você vai”, ele diz, abrindo o zíper e colocando a mala aberta na minha cama. “Coloque o que precisar. O carro parte em uma hora.”
“Uma hora”, repito, com a voz subindo uma oitava. “Pai, você não pode simplesmente me exilar para a casa de um estranho só porque aconteceu um escândalo. Eu tenho uma vida aqui.”
“Tem câmeras do lado de fora do nosso portão agora mesmo”, ele diz, e, pela primeira vez, não ameniza a situação para mim. “Isso não é um castigo, Olivia. É eu tentando fazer com que você continue viva.”
“Me manter viva”, repito, cruzando os braços com tanta força que quase dói. “Não sou criança, pai. Consigo lidar com alguns fotógrafos.”
“Não se trata mais de fotógrafos”, ele diz, e algo em seu tom de voz me faz parar de discutir, só por um segundo. “Trata-se da próxima manchete. Não vou dei











