
Meu ex-marido vai se arrepender
- Tür: Billionaire/CEO
- Yazar: Moonquill
- Bölümler: 10
- Durum: Devam ediyor
- Yaş sınırı: 18+
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Açıklama
Mary costumava ser uma esposa paciente, acreditando que poderia salvar seu casamento e construir uma vida familiar, mesmo que seu marido permanecesse frio e distante há anos. Uma vida familiar presa em um ciclo exaustivo de trabalho, tarefas domésticas e uma vida sexual inexistente. Mas quando ele pede o divórcio, alegando que perdeu os sentimentos e quer uma vida melhor para si mesmo, Mary decide se reconstruir do zero. Uma transformação radical, uma nova carreira e... um atraente CEO em seu novo emprego que parece ansioso para conquistá-la e que não se importa nem um pouco em ajudar Mary a se vingar de seu ex tóxico.
Capítulo 1
“Você, esposa, serve para alguma coisa se nem consegue preparar o café da manhã?”
Meu celular vibrou contra o volante antes mesmo de eu estacionar, com o nome do Pol piscando na tela, e eu já sabia como essa ligação iria acabar. Mas mesmo assim atendi.
“Pol”, digo, cansada, prendendo o celular entre o ombro e a orelha enquanto pego minha bolsa no banco do passageiro.
“Onde está a comida, Mary?” A voz dele é monótona, já irritada, como se eu tivesse cometido algum crime só por não estar em casa.
“Estou literalmente indo para o trabalho agora”, digo, olhando para o relógio. Seis e cinquenta e oito. Faltam dois minutos. “Eu te disse que tinha uma reunião cedo.”
“Você disse isso ontem também.” Ele suspira, longo e dramático, o tipo de suspiro que deveria me fazer sentir culpada. “Não posso continuar comendo cereal no café da manhã, Mary. É patético.”
“Então prepare algo você mesmo”, respondo bruscamente, me arrependendo imediatamente do tom cortante. “Eu trabalho sessenta horas por semana, Pol. Você trabalha trinta e duas.”
“Não comece com essa história de matemática de novo”, ele resmunga, e eu quase consigo ouvi-lo revirando os olhos do outro lado da linha. “Você é a dona da casa. É você quem deve cozinhar e limpar.”
“Não estou começando nada, só estou dizendo que talvez, pelo menos uma vez, você pudesse dar um jeito na comida sem mim”, digo, com a voz subindo enquanto ziguezagueio entre os carros estacionados.
“Não é tão difícil assim ferver macarrão, Pol, eu prometo...”
“Então agora eu sou preguiçoso? É isso que você está dizendo?” Seu tom se torna mais áspero, já na defensiva, como se eu tivesse atacado ele em vez de apenas responder à pergunta.
“Eu não disse isso”, murmuro, esfregando a têmpora com a mão livre. Meu celular vibra de novo, uma segunda ligação interrompendo a conversa. É minha gerente, Diane. “Tenho que desligar, meu chefe está ligando.”
“Claro que ela está”, ele diz, e desliga antes que eu consiga responder.
Deslizo o dedo para atender a ligação da Diane, já me preparando para o pior. “Oi, estou estacionando agora, chego em...”
“Você está atrasada”, ela interrompe, seca e fria. “A reunião começou há três minutos. Ande logo.”
Nem tenho chance de discutir. A linha cai no meu ouvido, e lá vou eu correndo pelo estacionamento com saltos que não foram feitos para correr, minha bolsa batendo no quadril a cada passo, minha respiração saindo em jatos curtos e apressados.
As portas da sala de reuniões já estão fechadas quando chego lá, e todas as cabeças se viram quando as empurro para abrir. Quinze rostos, todos advogados, todos mais antigos que eu, todos me observando entrar cambaleando, oito minutos atrasada, com o cabelo saindo do grampo.
“Que bom que você se juntou a nós, Mary.” Richard, meu chefe de departamento, nem sequer levanta os olhos do tablet. “Sente-se. Se conseguir encontrar um tempinho.”
Algumas pessoas dão uma risadinha, e alguém lá no fundo murmura algo que não consigo entender direito, embora possa adivinhar o sentido. Sinto meu rosto esquentar enquanto me sento na cadeira vazia mais próxima, murmurando um pedido de desculpas que ninguém quer ouvir.
“Como eu estava dizendo”, continua Richard, com a voz cheia de irritação, “antes de sermos interrompidos de forma tão rude, precisamos que os arquivos da Hensley estejam finalizados até o final do dia. Desta vez, sem desculpas.”
Aceno com a cabeça, pegando meu bloco de notas, com as mãos ainda tremendo por causa da corrida.
A reunião se arrasta por mais quarenta minutos, com Richard ocasionalmente me lançando olhares como se eu fosse algo grudado na sola do sapato dele.
Quando finalmente termina, ele me pede para ficar, e meu estômago dá um nó no instante em que a porta se fecha atrás da última pessoa a sair.
“Isso não está dando certo, Mary”, ele diz, sem se dar ao trabalho de se sentar, com os braços cruzados sobre o peito como se já tivesse ensaiado esse discurso na cabeça.
“Sei que cheguei atrasada hoje, mas estive aqui todos os fins de semana do último mês”, digo rapidamente, as palavras saindo antes que eu consiga contê-las.
“Não é só hoje.” Ele balança a cabeça, sem se impressionar. “São os prazos não cumpridos, o arquivamento desleixado, a atitude. Vamos te demitir.”
As palavras não caem logo no lugar. “Espere, o quê? Você está me demitindo?”
“Com efeito imediato.” Ele já está se virando em direção à porta, como se essa conversa fosse indigna dele, como se eu fosse apenas mais um item riscado da lista dele para o dia.
“Richard, por favor, preciso desse emprego”, digo, com a voz falhando apesar de mim mesma, lágrimas queimando nos cantos dos meus olhos. “Tenho contas a pagar, aluguel, tenho uma vida inteira que depende desse salário...”
“Devia ter pensado nisso antes de decidir que pontualidade era opcional.” Ele nem sequer olha para trás ao sair, deixando-me sozinha na sala de reuniões vazia.
Arrumei minha mesa em menos de dez minutos, enfiando uma moldura e uma caneca de café lascada em uma caixa de papelão, enquanto meus colegas fingiam não estar olhando, desviando o olhar para suas telas no momento em que eu erguia os olhos.
Ninguém se despede. Ninguém sequer levanta os olhos das mesas.
A viagem de volta para casa é um borrão de luzes traseiras vermelhas e meus próprios pensamentos se chocando uns contra os outros, um após o outro, implacáveis. Seguro o volante com força e finalmente me permito chorar, de forma feia e barulhenta, o tipo de choro que venho engolindo há meses.
Penso no Pol, em como eu costumava acreditar que o amor deveria ser algo diferente de exaustão.
Penso nos anos que passei tentando ser suficiente — suficiente como esposa, suficiente como funcionária, suficiente como pessoa — e em como nada disso parece importar mais, por mais que eu me esforce.
Imagino entrar no nosso apartamento agora, desempregada, e ainda ter que preparar o jantar porque o Pol vai pedir assim que eu passar pela porta, como se nada tivesse mudado, como se meu mundo inteiro não tivesse acabado de desabar.
Imagino-me lavando a louça com lágrimas ainda secando no rosto, enquanto ele assiste televisão e reclama que usei sal demais, alheio ao fato de que não tenho mais nada para lhe dar esta noite.
Quando chego ao nosso condomínio, minhas mãos já pararam de tremer, substituídas por algo mais pesado, algo vazio que se instala no fundo do meu peito.
Subo as escadas lentamente, com a chave já na palma da mão, ensaiando o que direi quando ele perguntar sobre o jantar, como vou sequer começar a explicar que não tenho mais uma resposta para ele.
Abro a porta, pronta para contar a ele que fui demitida, pronta para desmoronar na frente da única pessoa que deveria me amparar quando tudo o mais desmorona.
Em vez disso, fico paralisada na soleira da porta.
Pol está na nossa cozinha, com uma mão enredada no cabelo de uma mulher, a boca pressionada contra a dela como se já tivesse feito isso centenas de vezes antes.
Ela está de costas contra a nossa bancada, a mesma bancada onde preparo o café dele todas as manhãs, e nenhum dos dois percebe que estou ali parada, com minha caixa de tralhas da mesa ainda apertada contra o peito, minha vida inteira terminando silenciosamente na porta da minha própria casa.
Ele está me traindo.
Capítulo 2
A mulher se afasta de Pol tão rápido que derruba um copo da bancada, e ele se estilhaça contra o azulejo.
Eu não me mexo.
Não consigo.
Minha caixa de tralhas da mesa ainda está pressionada contra o meu peito como um escudo, como se pudesse, de alguma forma, me proteger do que estou vendo.
“Mary...” Pol começa, limpando a boca com as costas da mão como se isso apagasse alguma coisa.
“Saia daqui”, digo, com a voz pouco mais alta que um sussurro, dirigindo-me à mulher que ainda está paralisada perto da pia.
Ela pega a bolsa e passa por mim sem dizer nada, com os olhos baixos, e ouço a porta se fechar atrás dela.
Então ficamos só eu e Pol, em meio aos destroços de vidros quebrados e tudo o que eu achava que sabia.
“Há quanto tempo?”, pergunto, colocando a caixa sobre a bancada porque meus braços estão tremendo demais para segurá-la.
“Não é o que você está pensando”, ele diz, passando a mão pelo cabelo, já soando na defensiva em v










