
Doutor Bem-Estar
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Opis
A Dra. Georgia Mendes, uma terapeuta mais velha presa em um casamento infeliz, aceita como paciente Will Barton, um jovem e rico playboy enviado à terapia por seu pai devido à sua hipersexualidade. Will se sente atraído por Georgia quase imediatamente, mas ela tenta manter o profissionalismo, desencadeando uma luta interna e intensa entre os dois. Quando jornalistas expõem a traição do marido de Georgia, ela se vê diante de um divórcio escandaloso, ao mesmo tempo em que Will é pressionado pelo pai a se casar com uma mulher que não ama. Agora, Georgia precisa escolher entre preservar sua carreira ou se entregar ao que sente por Will.
Capítulo 1
“Eu não deveria ter ligado para você.”
A voz de Will Barton soou arrastada ao telefone, rouca e embebida em bebida, nada parecida com o sorriso descontraído que ele trazia ao consultório dela todas as quintas-feiras. Georgia sentou-se na cama e avistou o brilho azul-esbranquiçado do relógio na mesinha de cabeceira. 3h17 da manhã.
“Onde você está?”, ela perguntou.
No fim do corredor, uma tábua do assoalho rangeu baixinho perto do quarto de hóspedes onde Richard havia passado a noite. Georgia abaixou a voz mesmo assim e balançou os pés para o chão.
“No hotel. No centro. No Belmont.” Ele soltou uma risada curta e desagradável. “Suíte 1204. Sei que você não deveria vir. Eu sei disso. Só precisava de alguém que não fosse me entregar a um colunista ou ao meu pai.”
Ela foi até o armário e puxou o primeiro suéter que encontrou.
Ele tinha o número particular dela. Estava bêbado. Estava sozinho em um hotel às três da manhã. Cada fato caía com força e clareza.
“Você está machucado?”
“Depende de quão generosos estivermos sendo.”
“Will. Me responda.”
Uma pausa.
Então, em voz mais baixa: “Não. Não estou machucada. Só sozinha. Por favor, venha. Vinte minutos. Não vou piorar mais a situação do que já está. Só preciso de uma pessoa que não queira nada comigo.”
Ela deveria ter encerrado a ligação e recorrido a todas as opções adequadas. Uma linha de apoio. Um contato de emergência. O padrinho dele, se ele tivesse um. A lista do que uma terapeuta cuidadosa faria era longa, e ela conhecia cada item dela.
Em vez disso, ela já estava vestindo a calça jeans.
“Fique na suíte”, disse ela. “Estou indo.”
O portão da garagem do Belmont se abriu depois que o manobrista conferiu o número do quarto em uma tela e acenou para que ela passasse, sem demonstrar interesse. No elevador, ela usou a chave reserva que estava na recepção em nome de Will Barton, com o rosto do recepcionista impassível, fruto de um treinamento caro.
Quando as portas se abriram no décimo segundo andar, o carpete já havia abafado o último som do saguão.
Ela virou à direita.
O corredor era longo e silencioso sob arandelas com abajures. Papel de parede creme. Tapete espesso. Portas espaçadas para quem pagava para manter o mundo do lado de fora. Georgia encontrou o 1204 e bateu duas vezes.
A porta se abriu imediatamente.
Will parecia despido da pior maneira possível. Sua camisa estava meio aberta, uma manga ainda abotoada, a outra solta. Seu cabelo loiro escuro estava arrepiado e despenteado por mãos impacientes. Seus olhos estavam vermelhos e brilhantes, como se o sono e a raiva tivessem passado longe dele.
“Você veio.”
“Sai da frente.”
Ele se afastou sem brincadeira, e isso a assustou mais do que o tom arrastado de sua voz.
Georgia entrou e ouviu a porta se fechar atrás dela. As fechaduras giraram. Uma, depois a outra.
A suíte se estendia em silenciosa opulência após o estreito corredor do lado de fora. Uma área de estar ficava de frente para uma parede de vidro com vista para a cidade. Um casaco estava no chão ao lado de uma poltrona de couro. Um copo de cristal repousava sobre a mesinha baixa ao lado de uma garrafa deitada de lado e de um derramamento que ele havia limpo sem muito entusiasmo com um guardanapo do hotel.
Além da porta aberta do quarto, a cama permanecia lisa e intocada.
Ele não tinha vindo até ali para fazer sexo. Tinha vindo para se desmoronar em particular.
Isso deveria ter facilitado as coisas. Mas não facilitou.
Will caminhou até a janela e apoiou uma mão no vidro. O centro da cidade brilhava abaixo dele, todo aquele dinheiro e ostentação concentrados em linhas organizadas de luz.
“Eu estava na casa do Marcus Lyle”, disse ele. “Jogo de pôquer. Uma autodestruição de muito bom gosto. Serviço de bufê, uísque caro, gente fingindo não ver uns aos outros sangrando.”
Georgia ficou perto do sofá, em vez de segui-lo. “E?”
“E ganhei trinta mil, perdi sessenta, recuperei tudo e passei a noite inteira esperando que meu pai ficasse sabendo disso antes do nascer do sol.” Ele passou a mão pela boca. “A turma do Marcus adora um colapso, desde que ele use um relógio de qualidade.”
Ela deu uma nova olhada na sala, pois olhar diretamente para ele por muito tempo a deixava descuidada. A suíte exalava um leve cheiro de turfa e detergente de hotel. Em algum lugar além do vidro, uma sirene passou e se afastou. O termostato expelia ar frio que levantava a borda úmida da gola da camisa dele.
Will se afastou da janela e se recostou nela.
“Hoje à noite ele finalmente disse em voz alta. Arthur quer um anúncio de noivado até a primavera.”
Georgia ficou imóvel. “Com quem?”
“Chloe Ashford.”
O nome significava exatamente o que deveria significar. Família tradicional e abastada. Família de boa reputação. Uma mulher escolhida da mesma forma que as pessoas escolhem escolas e nomeações para conselhos.
“Você não quer isso”, disse Georgia.
“Eu nem quero jantar com ela.” Ele deu uma risada curta e, em seguida, desviou o olhar. “Ela é legal. Bonita. Educada. Feita para cartões de Natal. Meu pai acha que o casamento vai me transformar em alguém apresentável.”
Georgia colocou a bolsa no braço do sofá e manteve as mãos longe dela. Se segurasse a alça, talvez saísse dali. Se saísse agora, passaria o resto da noite ouvindo a voz dele ao telefone.
“Então você me ligou porque está com raiva dele?”
“Liguei para você porque todo mundo na minha vida fica contando pontos.” Ele olhou para ela então, de frente. A embriaguez não havia afetado essa parte dele. “Você não.”
Aquilo atingiu um ponto onde ela não deveria ter permitido que atingisse.
“O que eu faço é um trabalho”, disse ela.
“Eu sei.”
“Então fale como se soubesse disso. Me chamar aqui ultrapassa um limite. Eu vir até aqui ultrapassa um limite. Se alguém descobrir isso, posso perder minha licença.”
Ele se afastou do vidro e se aproximou um pouco mais, devagar o suficiente para que ela pudesse tê-lo impedido, mas não o fez.
“Fiquei sentado aqui por duas horas tentando pensar em outra pessoa”, disse ele. “Um amigo. Meu irmão. Uma das mulheres que as pessoas acham que eu coleciono por diversão. Qualquer um. Mas cada nome vinha com um preço. Favores, fofocas, meu pai na hora do café da manhã. Então liguei para a única pessoa que poderia me dizer a verdade e ainda assim me deixar inteiro.”
Ela havia passado anos construindo uma vida baseada na contenção. Tom de voz cuidadoso. Roupas cuidadosas. Distância cuidadosa. Naquela noite, aquela disciplina parecia frágil, como papel deixado na chuva.
“Não posso ser sua amiga”, disse ela.
“Então o que você está fazendo aqui?”
A resposta deveria ter vindo rápido. Preocupação profissional. Avaliação de risco. Resposta a crises. Em vez disso, ela se ouviu sem dizer absolutamente nada.
Will parou a alguns pés de distância. O cheiro de uísque impregnava seu hálito, mas não o suficiente para esconder o aroma limpo de sabonete do início da noite — o tipo de detalhe que seu corpo registrava antes que seu treinamento pudesse bloqueá-lo. A camisa dele havia se aberto um pouco mais. Uma linha nítida da clavícula. Um leve brilho dourado em sua garganta, refletido pela luz do hotel.
Georgia olhou para o rosto dele, não para mais abaixo.
— Não vou me casar com ela — disse ele. O tom polido já havia desaparecido. — Não me importo com o que ele chama isso. Estabilidade. Imagem. Família. Não vou entregar o resto da minha vida só porque Arthur Barton quer uma manchete melhor.
“Ótimo”, disse Georgia.
A expressão dele mudou, só um pouquinho. “Você está falando sério.”
Ela deveria ter suavizado a resposta, recuado um pouco, envolto a resposta em neutralidade. Em vez disso, ela lhe disse a pura verdade.
“Sim.”
Por um segundo, o ambiente pareceu se estreitar em torno daquela palavra. Em torno do olhar dele. Em torno da percepção de que ela havia deixado de falar com ele da mesma forma que falava no escritório.
Georgia deu um passo para trás e pegou a bolsa. “É melhor eu ir.”
Ele não a tocou. Apenas observou enquanto ela se dirigia para a porta, e isso, de alguma forma, era ainda mais difícil de suportar.
Ela já estava quase chegando lá quando ele chamou seu nome.
Não foi “Dra. Mendes”. Não foi a versão cautelosa dela que ele usava sob as luzes brilhantes do consultório.
“Georgia.”
A mão dela parou na maçaneta.
Quando ela olhou para trás, ele ainda estava parado perto da janela, com a camisa aberta, o rosto desprovido de qualquer charme ensaiado. Ela pensou no recepcionista lá embaixo, no elevador silencioso, em quanto dinheiro era preciso para criar esse tipo de privacidade. A riqueza podia comprar um tapete grosso e perguntas não feitas. Mas não podia tornar aquilo seguro.
“Posso ligar para você de novo?”, ele perguntou. “Não para marcar uma consulta. Não para terapia. Se acontecer algo assim de novo.”
A resposta certa estava bem na frente dela, brilhante como uma placa de saída.
Não.
Não, porque ele era seu paciente. Não, porque um encontro secreto se transformou em dois sem quase nenhum esforço. Não, porque ela havia trabalhado por muito tempo para conquistar as letras após seu nome para jogá-las fora por um homem em um quarto de hotel caro que a olhava como se ela fosse terra firme.
Ela abriu a porta.
O corredor lá fora estava tão silencioso quanto um cofre selado. Nenhum passo. Nenhuma voz. Apenas o suave zumbido mecânico do prédio e o clique abafado da suíte dele atrás dela, enquanto ele a seguia até a soleira da porta.
“Georgia.”
Ela se virou.
A mão dele estava apoiada na moldura acima dele. Ali, ele parecia mais jovem e, por isso, mais perigoso, todo o dinheiro despojado por uma pergunta sincera.
“Posso?”
Ela ainda podia consertar tudo. Caminhar até o elevador. Dizer para ele ligar para o escritório. Colocar essa noite em uma caixa trancada e sentar-se à sua frente na quinta-feira como se nada tivesse acontecido.
Em vez disso, ela olhou nos olhos dele e disse: “Sim.”
Capítulo 2
Georgia já havia ajeitado o bloco de notas duas vezes quando a pessoa marcada para as duas horas bateu à porta e entrou em seu escritório.
O ar da sala exalava o cheiro de polidor de limão do aparador que a faxineira havia limpado naquela manhã, e ela permaneceu atrás da mesa com as mãos cruzadas, mantendo propositalmente a largura da mesa entre ela e Will Barton.
A sessão agendada estava em sua agenda, a cadeira à sua frente exatamente onde sempre ficava, e ela havia passado três dias colocando tudo o mais de volta em uma ordem com a qual pudesse conviver. Arquivos de clientes. Formulários de seguro. Módulos de educação continuada que ela deveria ter concluído meses atrás. A rotina havia feito seu melhor trabalho nela. Quase o suficiente.
Então Will entrou parecendo revigorado, e o trabalho daqueles três dias se esvaziou de uma vez.
Ele se acomodou na cadeira com aquela mesma desenvoltura natural, mas a barba por fazer havia sumido, o cansaço desaparecido. V




