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A rainha rejeitada do Norte: A coroa de dentes

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Annotation

Eira Thorsen já não é a rapariga que o seu clã rejeitou. É Luna do Norte, herdeira de uma antiga linhagem real e a mulher com quem todas as cortes de lobos são agora obrigadas a contar. Mas o poder não traz paz. Quando chega uma carta do Sul, Eira descobre que um dos homens por trás da destruição das rainhas-lobo tem estado à espera que ela ascenda ao poder. Munido de leis antigas, aliados ocultos e um ritual suficientemente poderoso para contestar a sua reivindicação, ele arma uma armadilha que poderá privar o Norte de tudo o que ela construiu. Para impedir uma guerra política antes que comece, Eira tem de regressar à terra que outrora a humilhou e caminhar diretamente para as mãos de um inimigo que passou anos a preparar-se para a enfrentar. Mas, desta vez, ela não regressa como uma rapariga beta esquecida. Ela regressa como uma rainha-loba coroada — e Ragnar, o rei implacável que se tornou o seu laço mais forte, não a deixará enfrentar o Sul sozinha. À medida que velhos segredos se fecham à sua volta e o desejo se torna mais intenso sob o peso da lei, da lealdade e do poder, Eira tem de decidir o que está disposta a arriscar para proteger a sua coroa, a sua linhagem e o homem que está ao seu lado. Porque, desta vez, o maior perigo não é ser rejeitada. É ser reclamada pelo destino errado. A jornada de Eira continua no Terceiro Livro: Rainha Rejeitada do Norte: O Sangue Sob a Coroa.

Capítulo: 1: Capítulo 1 – O peso de uma coroa

Ela achava que seria diferente.Como se algo se acomodasse. Como se a última peça de algo finalmente encontrasse seu lugar. Ela já tinha assistido a coroações suficientes — antigas sagas, as aulas de história de Einar, os rituais do norte que havia memorizado antes mesmo de compreendê-los — para conhecer as imagens. O peso descendo. A sala ficando em silêncio. O momento em que tudo o que veio antes passa a ser apenas o passado.Não se acalma.Ele o oprime.Seis meses e ela ainda acorda algumas manhãs procurando aquela versão de si mesma que dormia levemente, que catalogava saídas antes de catalogar rostos, que sobrevivia ocupando exatamente o espaço que lhe era designado e nem um sopro a mais. Essa versão se foi. Ela sabe que se foi. Ela mesma a enterrou, no pátio de treinamento, na sala da saga, nas mãos de Ragnar às 3 da manhã, quando ela se parou na porta dele sem nenhuma explicação e ele se afastou sem pedir nenhuma.Se foi. Ótimo.A coroa está fria. Ela a usa mesmo assim.O salão já está lotado quando ela entra, o que é proposital — ideia dela, não deles. Ela aprendeu cedo que chegar depois que a sala já está reunida significa que a sala tem que se ajustar a você, e não você a ela. Coisa pequena. Mas faz diferença.Quarenta e três pessoas. Ela conta sem contar, da mesma forma que aprendeu a respirar sem pensar em respirar. Representantes dos clãs, dois dos territórios do leste que chegaram ontem e não param de se observar, Einar na parede oposta fingindo ser um móvel, Signe ao lado da lareira fingindo ser uma mulher que ainda não decidiu o desfecho desta reunião.Ragnar está à cabeceira da mesa.Ele está observando-a entrar.Ela ainda não olha para ele. Isso também é proposital — não é distância, apenas sequência. Ela olha primeiro para a sala. A sala precisa vê-la olhar para a sala primeiro. É um tipo de atuação diferente daquela com a qual ela cresceu. Aquela era a modéstia. Esta é algo mais difícil de definir.Ela se senta. O lugar dele fica à esquerda dela.“Luna.” O representante do leste — Aldric, mais velho, aquele que questionou a redação do tratado duas vezes na sessão de ontem — inclina a cabeça. O título ainda soa estranho. Não errado. Estranho, da mesma forma que uma palavra soa errada depois que você a repete muitas vezes.“Lord Aldric.” Ela cruza as mãos sobre a mesa. “O senhor estava falando, antes de eu chegar.”Ele faz uma pausa. Ele não estava dizendo nada — ela havia calculado sua entrada para o momento entre os itens da pauta especificamente para captar isso. O nada entre as coisas. O espaço onde as pessoas revelam como realmente se sentem em relação à espera.Ele se recupera com naturalidade. É bom nisso.“As passagens do leste”, diz ele. “A questão dos direitos de pedágio durante os meses de inverno.”Ela já conhece a posição dele. Tinha lido a correspondência dele — três cartas, duas delas para o antecessor de Ragnar, uma escrita há seis anos e nunca enviada, encontrada no arquivo por acaso. Ela sabe que a questão das portagens não se trata, na verdade, de portagens.Ela deixa que ele exponha seus argumentos mesmo assim.Essa é a parte que ela ainda está aprendendo: a paciência do poder. Sobreviver exigia rapidez — perceber a ameaça, agir, sobreviver. Governar exige algo mais lento e deliberado. Deixar as pessoas terminarem frases cujo final você já conhece. Observar para onde olham quando acham que não estão sendo observadas.Ragnar faz isso. Sempre fez isso. Ela costumava confundir isso com frieza.Agora ela sabe melhor.A reunião dura duas horas. Ela fala quatro vezes. Cada vez, brevemente — da mesma forma que uma lâmina é breve, da mesma forma que a água fria é breve. Ela está aprendendo isso. Que quanto menos ela fala, mais a sala fica à espera do que ela dirá a seguir. É um tipo de silêncio diferente daquele em que ela cresceu. Aquele silêncio era apagamento. Este é atenção.Quando Aldric insiste na questão do pedágio pela terceira vez, tentando obter uma concessão que ela não tem intenção alguma de fazer, ela deixa passar um segundo. Dois.“As passagens foram construídas por mão de obra do norte”, diz ela. “Os direitos de pedágio são lei do norte. Se houver alguma dúvida sobre a lei, ficarei feliz em pedir a Einar que consulte as sagas relevantes. Ele as sabe de cor.” Ela lança um olhar para Einar. “Todas elas.”A expressão de Einar não muda. Nunca muda. Mas algo em seus olhos — a coisa mais próxima de calor humano que ela viu nele nos últimos seis meses — muda de forma quase imperceptível.Aldric deixa de lado a questão do pedágio.Ela não se permite sentir-se satisfeita até que a sala fique vazia.Ragnar espera. Ele sempre espera — até que a última pessoa saia, até que o som dos passos se afaste pelo corredor, até que não haja mais ninguém para quem se apresentar. Então ele se vira para ela, e seu rosto faz aquilo que só faz quando não há ninguém observando.Não é exatamente suavidade. Suavidade implica algo que cede. Isso é mais como uma porta se abrindo.“Aldric vai escrever uma carta hoje à noite”, diz ele.— Eu sei. Ele vai apresentar a questão do pedágio como uma questão de agressão do norte. Vai usá-la para angariar apoio para a coalizão do leste.“Sim.”“Deixe-o.” Ela reúne os papéis à sua frente — um hábito, algo para fazer com as mãos. “Ele precisa sentir que está avançando. Se estiver escrevendo cartas, não estará fazendo nada mais útil.”Ragnar fica em silêncio por um momento. Ela pode sentir que ele a está olhando daquele jeito que só ele sabe — como se ela fosse um texto que ele vem lendo há muito tempo e no qual continua descobrindo novas passagens.“Você vem estudando Aldric há semanas”, diz ele.“Venho estudando todo mundo há semanas.”“Nem todo mundo recebe três sessões da sua atenção antes de uma única reunião.”Ela ergue o olhar. “Ele assinou o pacto oriental dois anos antes de alegar que tinha ouvido falar dele. Encontrei o documento no mês passado.” Ela coloca os papéis sobre a mesa. “Ele vem mentindo na sua cara há seis anos. Isso me pareceu valer três sessões.”A porta se abre.Einar. Sua expressão transmite informações da maneira que as expressões de Einar sempre fazem — concisa, eficiente, um parágrafo inteiro na forma como ele aperta a mandíbula.“Mensagem”, diz ele. “Selo do Sul.”Ele atravessa a sala e coloca o documento sobre a mesa na frente dela. Não na frente de Ragnar. Na frente dela.Ela percebe isso. Ela acha que Ragnar percebe que ela percebeu.O selo é desconhecido. Não é do conselho dos anciãos — ela já conhece essas marcas de cor, a variação de cada família, a maneira como pressionam a cera. Este é diferente. Mais antigo. Um sigilo que ela viu uma vez, no arquivo, em um registro anterior à Guerra do Sangue.Ela o quebra.A carta é curta. Três parágrafos. A caligrafia é precisa, sem pressa, a caligrafia de um homem que nunca escreveu com pressa, porque nunca precisou fazer isso.Ela lê duas vezes.Então ela a coloca sobre a mesa, com a face para baixo, e olha para Einar.A expressão dele confirma o que ela já suspeitava. Ele reconhece o nome no final da carta. Já o havia reconhecido antes mesmo de a carta ser aberta — apenas pelo selo.“Quem é ele?”, ela diz. Não é uma pergunta. É um pedido de confirmação.Einar lança um olhar para Ragnar. Algo passa entre eles — antigo, rápido, a linguagem tácita de homens que já estiveram lado a lado na escuridão.“Lorde Veldric”, diz Einar. “Ele é chefe do Conselho dos Anciãos do Sul há onze anos. Antes disso...” Ele para.“Antes disso”, ela diz.“Antes disso, foi ele quem redigiu a ordem de supressão original. Depois da Guerra Sangrenta.” Uma pausa. “Aquela que garantiu que ninguém fosse procurar descendentes da rainha dos lobos.”O salão está muito silencioso.Ela vira a carta para cima novamente. Lê a última linha mais uma vez.Escrevo com espírito de paz e em reconhecimento ao que a Luna da Corte do Norte representa — não uma ameaça, mas uma oportunidade há muito esperada. Gostaria de ter a chance de conversar, nos termos que você escolher.Nos termos que você escolher.Ela dobra a carta com precisão. Deixa-a de lado.“Ele sabe que vamos recusar”, diz ela.Einar: “É exatamente por isso que ele escreveu.”

Capítulo: 2: Capítulo 2 – O nome Veldric

Einar não se senta.É assim que ela o interpreta agora — não pelo que ele diz, mas pelo que seu corpo decide antes mesmo dele. Ficar em pé significa que a notícia é ruim o suficiente para que sentar-se pareça errado. Ficar em pé significa que ele já fez os cálculos e não gostou de nenhum dos números.Ele fica em pé por um bom tempo.Ragnar está com a carta. Ele a pegou sem perguntar, o que ela permitiu — há uma diferença entre decisões que são exclusivamente dela e informações que pertencem aos dois, e ela ainda está aprendendo onde fica essa linha divisória. Ela o observa ler. O rosto dele não demonstra nada. Nunca demonstra, na frente de Einar. Na frente de ninguém.Ela é uma das poucas pessoas que sabe o que acontece com o rosto dele quando ele não está impassível.“Onze anos”, ela diz a Einar. “Ele está à frente do Conselho dos Anciãos há onze anos e esta é a primeira carta.”“Ele já escrev

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