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A Aposta do Capitão

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Deskripsyon

Em uma escola de elite, Mia, uma garota tímida que sofre bullying e quase não tem amigos, chama a atenção do capitão do time de lacrosse e o "rei" do campus, Jace Mercer. Ele faz uma aposta com os amigos para conquistar o coração dela por pura brincadeira, mas, no meio do caminho, ambos desenvolvem sentimentos reais. Isso desperta o ciúme da namorada dele e a revolta de seus amigos, que planejam sabotar Mia e destruí-la a todo custo. O que vencerá: o amor ou a reputação? E o que Mia fará quando descobrir que não passou de uma simples aposta?

Capítulo 1

“Um rato cinza não tem o que fazer em uma festa de lacrosse.”

A voz de Madison Cole cortou o som do baixo e a tagarelice, e metade da cozinha se virou antes que Mia pudesse chegar à porta de vidro deslizante. Corpos ombro a ombro bloqueavam o caminho, camisetas lotavam a ilha, copos de plástico balançavam sobre as bancadas polidas. Ela tinha avistado a saída no segundo em que entrou. Agora era tarde demais.

Madison se aproximou com duas garotas ao seu lado, todas com cabelos brilhantes e a confiança de quem está no dia do jogo. A multidão se moveu com elas. Os celulares foram erguidos tão rápido que parecia algo ensaiado.

“Você realmente achou que poderia simplesmente entrar aqui?” O olhar de Madison percorreu o vestido de brechó de Mia. Algodão azul-marinho. Macio de tantas lavagens. Agora úmido, onde alguém já havia derramado uma bebida em seu quadril. “Que fofo.”

A morena ao lado dela riu. Aquilo já bastava.

A terceira garota inclinou seu copo vermelho, e cerveja gelada espirrou no peito de Mia antes que ela pudesse se virar. O líquido pegajoso encharcou o algodão e escorreu até seus tênis.

Uma onda de risadas ecoou ao seu redor. Alguém perto da geladeira disse: “Ah, droga”, e outra pessoa se aproximou para ter um ângulo melhor.

Madison sorriu. “Opa. Acho que esse vestido não estava pronto para a festa, afinal.”

As telas ao redor de Mia brilhavam em um tom azul-esbranquiçado. Se ela saísse correndo, eles teriam aquela imagem. Se ela perdesse a cabeça, teriam aquela também. Então, ela ficou imóvel, os dedos cravados nas próprias palmas com força suficiente para manter o rosto impassível.

“Deixem ela em paz.”

As palavras rasgaram o silêncio da sala.

Jace Mercer atravessou o círculo de pessoas sem diminuir o passo. Ele se colocou entre Mia e Madison bem no momento em que Madison levantava seu próprio copo, e sua mão segurou o pulso dela.

Ninguém largou o celular. Ninguém riu também. A música ainda ressoava dos alto-falantes em algum lugar mais no fundo da casa, mas ao redor deles a sala pareceu parar.

“Que diabos, Jace?” Madison o encarou, sem qualquer sutileza na pergunta.

“Eu disse para você se afastar.” Ele soltou o pulso dela e deu meio passo para o lado, ainda bloqueando a passagem de Mia. “A festa acabou por causa disso.”

Uma risada nervosa veio da beirada da multidão. Alguém sussurrou o nome de Jace como se não acreditasse no que acabara de ver.

Madison piscou uma vez, depois seu rosto inteiro ficou tenso. “Você tá falando sério agora?”

Jace olhou para Mia. Olhos castanhos. Firmes. Impossíveis de decifrar.

“Você está bem?”

Não. Ela estava encharcada de cerveja, cercada por câmeras e parada atrás do namorado de Madison, enquanto todo o grupo de lacrosse observava.

Mesmo assim, Mia deu a ele um rápido aceno de cabeça. Qualquer movimento mais demorado poderia fazer com que ela se desmoronasse.

“Vamos lá.” A mão dele pairou perto do cotovelo dela, sem tocá-lo. “Vamos tirar você daqui.”

A voz de Madison os perseguiu. “Jace, o que você está fazendo?”

Ele a ignorou, e a multidão se abriu em pedaços irregulares. Mia se moveu porque a sala havia se transformado em uma armadilha com paredes feitas de ombros e lentes. Seus tênis molhados grudavam no piso de madeira enquanto ela o seguia pela entrada lotada, passando por uma escadaria ladeada por jogadores sorridentes, e saindo para a varanda.

O ar fresco atingiu sua pele. O som do baixo diminuiu atrás deles quando a porta da frente se fechou, abafado, mas ainda presente, e o gramado se estendia à frente sob um poste de luz, com carros estacionados em fileiras tortas ao longo do meio-fio e parcialmente na grama.

Ela parou na beira da escada. “Por que você fez isso?”

Jace enfiou as mãos nas calças jeans. Lá fora, sem a multidão pressionando-o, ele parecia menos intocável e mais como um cara que havia pisado em uma mina terrestre e ouvido o clique.

“Porque eles estavam passando dos limites”, disse ele.

“Eles vêm passando dos limites há três anos.” O vestido, resfriado pela cerveja, colava-se às suas costelas quando ela cruzou os braços. “Você nunca se importou antes.”

Ele abriu a boca, mas logo a fechou de novo.

O gramado da frente não estava vazio. Duas garotas da aula de psicologia estavam ao lado de um jipe, fingindo não ficar olhando. Um grupo de jogadores de lacrosse ocupava a calçada, barulhentos há um minuto, mais quietos agora.

A luz da varanda se espalhava sobre latas jogadas no canteiro de flores, uma caixa térmica tombada de lado perto da grade, marcas de pneus cortando a borda úmida do quintal. Essa casa provavelmente havia sido palco de metade das vitórias do time e de metade das fofocas do campus. Naquela noite, ela a havia engolido por inteiro em menos de dez minutos.

Jace olhou por cima do ombro dela.

Mia se virou e viu Tyler Boone perto do final dos degraus da varanda, os ombros largos preenchendo a camisa, o celular erguido na altura do peito. A tela brilhante mostrava um replay em pequenos movimentos nítidos.

Ela. O copo de Madison. A mão de Jace no pulso de Madison.

Boone sorriu. “Cara, isso já está em todo lugar.”

Jace cerrou a mandíbula.

Mia ficou olhando para o celular, tentando se antecipar ao que viria e sem conseguir. Pela manhã, o vídeo estaria em todos os feeds importantes do campus, compartilhado por garotas que nunca tinham trocado uma palavra com ela e por garotos que agiriam como se tivessem descoberto um novo esporte. Ela já podia ouvir as perguntas por trás dos olhares do dia seguinte.

Por que ela? O que ela fez? O que ele quis dizer com isso?

Boone inclinou a tela na direção de Jace novamente. “O capitão está bancando o cavaleiro branco agora? Que ousadia.”

“Cala a boca, Boone”, disse Jace.

Boone apenas sorriu ainda mais. “Madison parecia pronta para matar alguém. Você realmente escolheu uma noite divertida para começar isso.”

Começar o quê?

O pensamento bateu tão forte que Mia quase disse em voz alta. Jace nem sequer negou a insinuação. Ele apenas observava Boone como se uma palavra errada pudesse piorar tudo, o que indicava a ela que a situação poderia piorar rapidamente.

De dentro da casa veio uma nova onda de barulho, do tipo que significava que a história já havia mudado de forma e ganhado vida própria. Uma garota saiu para a varanda, apontou o celular para o gramado e, em seguida, desistiu de se aproximar.

Mia limpou a cerveja da base da garganta com a palma da mão e odiou o fato de que até mesmo aquele movimento parecesse público. Lena ainda estava em algum lugar lá dentro. A bolsa dela também ainda estava lá dentro. Sair agora significava voltar a atravessar aquela casa ou sair de lá meio encharcada, com nada além das chaves no bolso do vestido.

Jace olhou para ela. “Você precisa das suas coisas?”

“Preciso saber por que você fez isso.” Ela percebeu como sua voz tinha ficado monótona e não se importou. “Não me diga que eles estavam passando dos limites. Eu vi essa parte.”

Boone soltou uma risada abafada. “Caramba. O ratinho cinza tem garras, afinal.”

Mia se virou para ele antes que pudesse se conter. “Não me chame assim.”

Ele ergueu as sobrancelhas, divertido, e por um segundo ela se arrependeu de ter cedido a ele. Mas logo mudou de ideia. Que ele soubesse que ela ainda era capaz de se defender.

Jace entrou levemente no campo de visão de Boone. Um movimento sutil. Uma mensagem clara.

Boone recuou um pouco sobre os calcanhares. “Relaxa. Todo mundo tá filmando, cara. Só tô curtindo o espetáculo.”

Aquela palavra soou como uma facada. Entretenimento. Como se a cerveja no vestido dela, o sorriso de Madison e a mão de Jace agarrando seu pulso tivessem acontecido apenas para as pessoas debruçadas sobre as telas.

Mia olhou para Jace novamente. Se aquilo fosse alguma piada, se ele a tivesse puxado para fora apenas para tornar tudo ainda maior, ela precisava ver isso agora. Algo presunçoso. Algo descuidado. Alguma rachadura na máscara cuidadosa que ele usava para todos.

O que ela viu foi tensão. Real ou fingida, ela não sabia dizer.

A porta da frente se abriu com tanta força que fez a grade da varanda tremer.

Madison estava ali, banhada pela luz da casa, com o cabelo loiro perfeito e uma expressão mais fria do que tinha sido lá dentro. Duas garotas pairavam atrás dela, esperando para ver como ela iria lidar com a situação.

Seu olhar se voltou primeiro para Jace, depois para Mia e, por fim, para o celular de Boone.

“Isso não acabou”, disse ela.

Ninguém respondeu.

O sorriso de Madison surgiu devagar e foi discreto. Uma promessa para mais tarde, quando haveria salas de aula, corredores e todo um campus à disposição. Então ela voltou para dentro, e as meninas a seguiram.

Mia olhou para a tela de Boone mais uma vez. O replay começou de novo. Cerveja. Pulso. Afaste-se dela.

Ela se virou para Jace. “O que acabou de acontecer?”

Ele deu uma olhada no celular de Boone e, em seguida, voltou a olhar para ela.

“Não sei”, disse ele.

Capítulo 2

Mia atravessou o pátio com a cabeça baixa, mas os olhares ainda a encontravam.

Ela manteve o ritmo constante, a alça da mochila bem apertada contra o ombro, o olhar fixo no caminho de concreto que cortava os trechos de grama onde grupos de estudantes estavam sentados com seus celulares. Ela não precisava levantar os olhos para saber o que eles estavam assistindo. As risadas chegavam até ela.

“Você viu a cara dele?”

“A Madison ficou de saco cheio.”

Ela deveria ter faltado. Ficado no dormitório. Deixado a Lena trazer suas anotações mais tarde. Mas se esconder só alimentaria a história, daria mais força a ela. Então, ela seguiu andando.

Seus tênis arranhavam o pavimento. O ar da manhã estava fresco. O cheiro de café vinha do carrinho perto da biblioteca, com um aroma ao mesmo tempo queimado e doce. Ela manteve a cabeça baixa e contou as juntas do calçadão.

Uma sombra se aproximou ao seu lado.

Ela ergueu o olhar. Jace.

Ele não disse nada a

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