
Minha Obsessão Virtual
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Anotación
Sonya é uma gamer anônima que finge ser um garoto para ganhar popularidade, já que não tem amigos fora do mundo virtual. Quando um streamer famoso ameaça expor sua identidade real, ela é salva por Moon, seu maior inimigo no jogo e o único cara que ela nunca conseguiu vencer. Ele revela que a conhece na vida real e decide "protegê-la". Enquanto Sonya tenta manter seu segredo na internet e descobrir quem é Moon, ela nem desconfia de que ele é seu rival na faculdade, secretamente obcecado por ela.
Capítulo 1
“Trinta dias, Sonya.”
Trinta dias, ou ela perderá sua liberdade em uma ala hospitalar.
As palavras a perseguiram por todo o quarteirão.
Ela bateu com muita força na porta da lavanderia. Um carrinho chacoalhou perto das secadoras. Alguém ergueu o olhar, depois desviou o olhar. Ótimo. Quanto menos olhos sobre ela, melhor.
Sonya atravessou o chão brilhante de detergente, subiu os degraus estreitos dois de cada vez e enfiou a chave na fechadura acima da lavanderia 24 horas. Lá dentro, ela fechou a porta com um empurrão, largou a bolsa ao lado do futon e foi direto para a mesa.
Botão liga/desliga. Telas acesas. Ventiladores zumbindo.
Seu equipamento respondeu com uma luz azul nítida, os três monitores refletindo o brilho da janela do beco de volta para a sala. Lá embaixo, as máquinas processavam mais uma carga. Constante. Mecânico. Previsível. Ela apoiou as duas mãos na mesa até que a dor no peito diminuísse o suficiente para que pudesse se sentar.
A Dra. Mira Bennett queria que ela fizesse um amigo na vida real em trinta dias; caso contrário, pressionaria ainda mais, pressionaria oficialmente, pressionaria até que Sonya perdesse o direito de desaparecer nos seus próprios termos.
Então Sonya fez o que sempre fazia quando as paredes começavam a se fechar sobre ela.
Ela fez login.
Os menus carregaram rapidamente. Classificações. Histórico de partidas. Clipes de torneios. O nome que importava apareceu onde sempre aparecia.
Sam_Striker.
Seguro, à parte, construído linha por linha até se tornar mais importante do que o nome em sua carteira de estudante.
O quadro dos cinco primeiros foi atualizado. Seu apelido manteve a posição.
Uma posição acima dela: Moon.
Claro.
Ela quase entrou na fila por reflexo. Vencer o cronômetro, vencer o mapa, vencê-lo pelo menos uma vez, e talvez o resto do dia ficasse quieto. Em vez disso, ela abriu seu servidor de sempre, procurando por ruídos que pudesse controlar.
Um clipe estava fixado no topo.
Postado por Rex Halden.
A sala pareceu inclinar-se um pouquinho. Sonya clicou.
Rex ocupava o centro da tela, com o cabelo descolorido brilhando sob as luzes da discoteca, e um sorriso tão fino que parecia cortante.
“Tudo bem, todo mundo tem perguntado, então aqui está. Sam_Striker é o próximo.”
O contador de visualizações disparou. As reações inundaram o painel lateral tão rápido que se transformaram em um borrão.
“É, vocês me ouviram. O Sam fica se esquivando de todos os convites para a câmera, de todos os testes de voz, de todos os encontros. Esse perfil grita ‘falso’. Então, vamos ver o que tem por trás disso.”
Ele se inclinou para mais perto.
“Me dêem duas semanas. Talvez menos. Vamos saber exatamente quem é o Sam, onde mora e por que tem fingido o tempo todo.”
O vídeo foi interrompido.
Sonya ficou completamente imóvel por um instante, depois atualizou a página.
Pior ainda.
Montanhas de comentários. Capturas de tela antigas. Suposições disfarçadas de trabalho de detetive. Alguém havia resgatado postagens de fóruns em que Sam não usava o microfone. Outra conta havia começado a restringir as cidades com base no horário do servidor.
O mouse escorregou uma vez sob sua mão. Ela praguejou, abriu as configurações de segurança e começou a verificar bloqueios que já sabia que existiam.
Nada óbvio. Nenhum alerta de login. Nenhuma lista de dispositivos estranhos.
Não adiantou nada.
Rex tinha ido atrás de três mulheres em seis meses. Todas elas tentaram se esconder atrás de configurações de privacidade e hábitos cuidadosos. Ele ainda assim encontrou fragmentos para exibir na transmissão até que estranhos fizessem o resto.
O zumbido sob o piso agora se tornava mais intenso. O quarto parecia ter ficado pequeno demais ao redor da mesa. A luz azul deixava suas mãos pálidas enquanto ela navegava pelos menus, abrindo, verificando, fechando e abrindo novamente.
Uma tampa de garrafa rolou da mesa e bateu no chão.
Ela ficou olhando para ele por um segundo a mais.
Então, um leve sinal sonoro soou em seus fones de ouvido.
Um novo usuário entrou na chamada.
Ela congelou. Não havia aberto uma sala pública. O nome na tela era alguém que ela conhecia muito bem.
Moon.
Seu cursor pairou sobre a opção “recusar”.
Se isso fosse uma piada, ela iria quebrar alguma coisa. Se não fosse, ela precisava de alguém que entendesse exatamente do que Rex era capaz.
Ela aceitou.
“Sam.”
Voz baixa. Ritmo constante. Sem qualquer afetação, exceto pelo habitual modificador de voz que a maioria dos jogadores anônimos usava.
“Bloqueie tudo agora. Comece pela conta vinculada a todas as outras. Depois, o jogo. Em seguida, tudo o que compartilha credenciais antigas. Altere todas elas. Separe-as.”
Sonya engoliu em seco e se forçou a responder.
“Como você conseguiu entrar aqui?”
“Você deixou uma sala privada ativa na semana passada, depois dos treinos. Não importa agora. Aja.”
A ordem deveria tê-la irritado. E de fato a irritou. Mas também cortou de vez a confusão em sua cabeça.
Ela abriu o gerenciador de senhas e começou a substituir todas as senhas reutilizadas de que se lembrava. Sequências aleatórias. Salvar. Confirmar. Próximo. As rodinhas da cadeira batiam na mesa cada vez que ela se inclinava para frente. Moon ficou em silêncio por um tempo, e o silêncio funcionou melhor do que qualquer palavra de conforto teria funcionado.
Do lado de fora da janela, a placa do beco da lavanderia piscava em vermelho, depois em azul e, em seguida, em vermelho novamente, no canto do monitor. O alarme de uma secadora soou lá embaixo, seguido por passos abafados na escada que continuavam passando pela porta dela. Sonya continuou trabalhando.
— Já terminei as principais — disse ela.
“Verifique as atividades recentes. Se houver algo suspeito, você deve sair de todas as sessões.”
Ela examinou os registros novamente. Mesmos locais. Mesmos dispositivos. A mesma calma feia antes do impacto.
“Nada que eu não reconheça.”
“Ótimo. Fique de olho nisso hoje à noite. Não feche a conta.”
Ela ergueu a cabeça. “O quê?”
“Se você sumir, ele vai poder inventar a história por você. Fique normal o suficiente para ser irritante.”
Aquilo quase soou familiar, o tipo de frase que um jogador de ponta soltava antes das finais, quando todo mundo começava a se atrapalhar. Sonya afastou o pensamento.
“É fácil pra você falar. Ele não colocou o seu nome no título.”
“Não”, disse Moon. “Ele escolheu o seu porque as pessoas percebem quando o Sam se mexe.”
Ela soltou uma risada curta, sem nenhum tom de humor. “Ótimo. Adorei isso pra mim.”
“Você deveria. Você mereceu.”
A resposta soou mais dura do que deveria.
Sonya olhou para o quadro de classificação no monitor lateral. Sua tag estava entre as cinco primeiras, conquistada por anos de noites em claro, comentários de desdém, convites bloqueados e partidas jogadas de forma mais limpa do que todos ao seu redor, porque um único deslize sempre custava mais caro. As pessoas viam a Sam e discutiam. Mesmo assim, entravam na fila. Mesmo assim, assistiam.
Moon falou de novo antes que ela pudesse dizer para ele parar de fazer sentido.
“Rex não vai atrás de desconhecidos.”
"Isso é pra ajudar?"
“É para impedir que você mesma entregue a vitória a ele.”
Ela se recostou e passou a mão pela boca. O ambiente ainda parecia sufocante, mas agora tinha contornos novamente. Mesa. fone de ouvido. telas. porta. Um mundo que ela conseguia identificar.
“Por que você se importa?”
Uma pausa.
Não foi longa. Apenas o suficiente para aguçar sua atenção.
Quando Moon respondeu, sua voz permaneceu firme, mas havia algo nela que parecia recuar um pouco, agora cauteloso.
“Porque ele fica descuidado quando tem público, e você é a única por perto.” Ele deixou a frase pairar no ar. “E porque não gosto de ver bons jogadores serem expulsos.”
Era uma resposta melhor do que qualquer heroísmo. Mais distante. Mais crível.
Ainda assim, ele havia se envolvido rápido demais. Ele sabia exatamente o que dizer. Sonya percebeu isso e guardou para si mesma.
Ela abriu a página do canal do Rex no segundo monitor, com a única intenção de verificar se o vídeo ainda estava ganhando popularidade.
O selo de “ao vivo” já estava ativado.
Um novo título se estendia na parte superior.
Contagem regressiva para Sam — Vamos Caçar.
— Moon — disse ela, olhando fixamente para a tela —, ele está ao vivo. Ele está atrás de mim.
Capítulo 2
O contador da transmissão contava regressivamente na tela dela. Mil e oitocentos espectadores. Os comentários passavam rápido demais para acompanhar.
“Sam.”
A voz de Moon cortou o barulho, baixa e firme em seus fones de ouvido.
“Ainda tá comigo?”
Ela desviou o olhar da transmissão do Rex. O cursor pairava sobre o botão de logout. “Sim.”
“Ótimo. Não mexa nesse roteador. Abra as configurações da sua conta.”
Ela obedeceu. O ponteiro deslizou uma vez antes que ela encontrasse a aba certa. “Pronto.”
“Aplicativos de terceiros. Liste-os.”
A lista carregou. Dezessete nomes, a maioria deles plataformas patrocinadoras e organizadores de torneios. Ela começou a ler. Moon a interrompeu no número doze.
“Aplicativo de pagamentos?”
“Sim. Eu vinculei quando precisei sacar o prêmio rapidamente.”
“A que conta ele está vinculado?”
Uma onda de frio percorreu seu corpo. “A de jogadora...”
Ele ficou em silêncio por um instante.











